Projeto do Sebrae contribui para a melhoria da piscicultura em Bom Jesus

Lucro com a criação de peixes é de 800% na região.

Por João Victor 08/08/2017 - 18:28 hs
Foto: Ilustrativa

O fortalecimento da piscicultura tem sido um dos focos do trabalho do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae no Piauí, no extremo sul do Estado. No município de Bom Jesus, as ações desenvolvidas no âmbito do Projeto Desenvolvimento Econômico Territorial, DET, tem mudado a realidade dessa cadeia produtiva na região.

“A piscicultura é uma excelente oportunidade de geração de renda. Mas para ter retorno financeiro com essa atividade, é necessário que ela seja praticada de forma correta e profissional. Por isso, realizamos consultorias técnicas e gerenciais junto aos piscicultores de Bom Jesus, as quais têm garantido o avanço da produção”, afirma o diretor técnico do Sebrae no Piauí, Delano Rocha.

O trabalho junto aos piscicultores de Bom Jesus iniciou em 2015, após um diagnóstico do Projeto DET, em que foi identificada essa potencialidade na região. Ano passado, começaram as capacitações, quando ficou claro que uma das estratégias para a organização dessa cadeia produtiva seria o associativismo.

“Mobilizamos os piscicultores para que fosse constituída uma associação, para atendê-los com consultorias e capacitações. Já realizamos cursos básico de piscicultura, levantamento topográfico e geográfico das propriedades, consultorias in loco nos criatórios e outras ações”, explica o analista do Sebrae e gestor do Projeto DET do Extremo Sul Piauiense, José Henrique Quental.

A Associação de Criadores de Peixe do Vale do Gurgueia, Acripevag, conta atualmente com 15 piscicultores. O vice-presidente da entidade, Edson Barbosa da Silva, destaca que, atualmente, existem cerca de 50 empreendedores envolvidos na criação de peixes em Bom Jesus. “Na Acripevag somos apenas 15. Os demais criadores continuam trabalhando de maneira arcaica, sem acesso a tecnologias e conhecimentos necessários para o avanço da atividade. Quando todos começarem a acreditar no nosso trabalho e na força do associativismo, abraçando a causa, com certeza, Bom Jesus conquistará lugar de destaque na produção de peixes no Estado”, comenta.

O vice-presidente conta que antes de fazer parte da associação, através da qual passou a receber o apoio do Sebrae, criava o peixe de maneira errada. “Sem o Sebrae não sei o que seria de nós. Nós estaríamos na fase inicial ainda. Não teríamos avançado tanto em tão pouco tempo A gente dava qualquer tipo de coisa para o peixe, qualquer tipo de comida. Era feijão, milho, melancia. Hoje, sabemos que tem que ser somente ração balanceada. A conversão alimentar é muito mais rápida e eficiente. Antes se levava um ano para um alevino atingir um quilo. Agora, com seis meses já temos animais de um quilo. Com um ano, um peixe já chega é a 1,5 quilo. A mortalidade que era de 30%, foi reduzida para 5%”, declara.

Os tanques também eram escavados de qualquer jeito, em qualquer área, sem um estudo prévio. “Escavávamos até em barrancos. Daí vinha a enxurrada e levava tudo, o que não ocorre mais. Colocávamos a água e deixávamos entrando por um lado e saindo pelo outro direto. Hoje não. Temos total controle da circulação da água, que passa também por testes de qualidade”, acrescenta o piscicultor.

A adubação também não era feita de maneira correta ou não se tinha adubação, o que ocasionava a existência de muito capim no interior dos tanques e dificultava a retirada dos peixes. Os tanques mais limpos também contribuíram para o aumento da produção.

Através da Acripevag, os produtores estão negociando a compra conjunta de ração, o que deve reduzir os custos com essa matéria-prima. Outra estratégia é a compra de alevinos diretamente dos criadores de outras regiões. “A ração e os alevinos para chegar em Teresina, passam primeiro por Bom Jesus. Porque então não negociarmos essa compra direta e ter insumos mais baratos, devido a redução no frete e ao maior volume de compras?, questiona-se o vice-presidente.

A produção atual dos 15 associados da Acripevag, que trabalham em 30 tanques, é de cerca de 100 mil quilos ao ano. Um único produtor detém quase 20% da produção, mas Edson acredita que isso irá mudar em pouco tempo. “Os resultados animam. Agora teremos um curso de filetagem de peixe para agregar valor ao produto. Após o curso, tenho certeza que muitos vão querer se juntar a nós, para também se beneficiarem desse atendimento coletivo oferecido pelo Sebrae”, destaca o piscicultor.

Edson possui atualmente dois tanques, nos quais produz dois mil quilos por ano. “Eu só tiro o peixe uma vez a cada ano, pois prefiro colocar no mercado um animal mais pesado, na época de maior consumo, que é a Semana Santa. O custo com a ração pode ser maior, mas o lucro é proporcional. Mas existem associados, que só vivem da venda de peixes, e que tem animais para ofertar toda semana. A espécie mais cultivada é o tambaqui, mas também temos produção de surubim”, informa.

Segundo o vice-presidente da Acripevag o lucro com a criação de peixes, atualmente é de 800%, mas pode ser maior. “Hoje, para colocarmos mil peixes dentro de um tanque, nos custa R$ 220,00. Gastamos mais uns R$ 2 mil de ração, o que somado da R$ 2,3 mil de investimento para se ter mil peixes de um quilo cada. Vendendo ao preço atual de R$ 12,00 o quilo, o faturamento é de R$ 12 mil. Tirando o investimento, dá quase R$ 9 mil de lucro. Então, não tem porque não criar peixe, que é um alimento que agrada muita gente e de alto valor nutricional. O lucro é certo, principalmente se fizer com as técnicas corretas”, avalia o produtor, que disse querer chegar a seis tanques em sua propriedade.

Além de Bom Jesus, o Projeto DET do Extremo Sul Piauiense é executado em mais quatro municípios daquela microrregião: Baixa Grande do Ribeiro, Cristino Castro, Ribeiro Gonçalves e Uruçuí, respeitando as potencialidades de cada local.

O projeto tem como foco a promoção do desenvolvimento econômico e a transformação da realidade de um território, por meio do fomento e fortalecimento de atividades produtivas, consideradas prioritárias.

Entre os resultados esperados das ações estão geração de emprego; distribuição de renda; a criação de um ambiente produtivo; fortalecimento do empreendedorismo; inovação; e melhoria da qualidade de vida da população dos municípios assistidos.

Fonte: Agência SEBRAE